quinta-feira, 20 de julho de 2006

Só Drummond...

A HORA DO CANSAÇO


As coisas que amamos
As pessoas que amamos
São eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável
No limite de nosso poder
De respirar a eternidade.

Pensa-las é pensar que não acabam nunca,
Dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
Numa outra (maior) realidade.

Começam a esmaecer quando nos cansamos,
E todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,
De respirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
Rebaixamos o amor ao estado de utilidade.

Do sonho do eterno fica esse gosto acre
Na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.



É, hoje só mesmo Drummond... trazido pelo meu amigo Luiz, agora também no mundo dos blogs:luizantoniocardoso.blogspot.com


Pra quem se interessar: hoje, de GRÁTIS, no espaço Mário Cóvas (em frente a praça Afonso Pena), às 20 horas, Crônicas de Uma Noite de Verão; e amanhã, 20h. Edifício Master, de Eduardo Coutinho - filmaço!



Um comentário:

caracteresdifusos disse...

Horas do cansaço, sem dúvida alguma que também têm a sua duração, tal como estar a escrever estas palavras. Fonte de soluções, condições em acção! Gostei dos teus escritos e muito. Parabéns, escreves muto bem. Continua.
Cumprimentos
Caracteres